domingo, 1 de março de 2015

LENDA DO RIO MIPIBU



MOEMA E JANDUY

I


Havia por estas bandas
Várias aldeias de índios
Entre elas uma maior
Onde morava uma índia
Que se chamava MOEMA
Filha de DIACUY
E do cacique JERERA

II

Essa índia era a mais linda
De todas que lá viviam
Sua beleza era tanta
Que os astros se escondiam
Quando ela estava ali
Despertando amor em todos
 Mas ela só quis JANDUY

III

JANDUY era um guerreiro
Filho do grande Pajé
De físico avantajado
Querido por toda mulher
Por ser honesto e valente
Seu pai vivia contente
Por ele ser como é

IV

No começo ele pensava
Que era só brincadeira
Pois sendo muito bonita
Ela era bandoleira
Mas com o tempo ele viu
Que o amor só crescia
Quando a ela se uniu
  
V

Desse momento em diante
MOEMA muito feliz
Por ter sempre ao seu lado
O carinho e o amparo
Do guerreiro JANDUY
Que sempre estava ali
Pra lhe dar amor tão caro

VI

Logo os dias se passaram
O tempo ficou mais curto
Pois MOEMA e JANDUY
Nunca mais se separaram
Ele com ela de braços
Percorriam toda mata
Vivendo momentos raros


VII

Colhiam frutas e pescavam
E nas praias se banhavam
Ouviam o cantar dos pássaros
A felicidade era ali
MOEMA só tinha olhos
Pro guerreiro JANDUY

VIII

Toda tribo acostumada
Com o amor daqueles dois
Dançava e fazia festa
Não deixava pra depois
E o Cacique feliz
Abençoava o amor
De MOEMA e JANDUY

IX

Certo dia bem cedinho
Como era de costume
JANDUY foi ver MOEMA
 E respirar seu perfume
Pensando no seu amor
 Querendo tê-la nos braços
Foi logo se aproximando

X

Chegou pertinho da rede
Onde MOEMA dormia
Sempre bela e serena
Ao se curvar pra abraçá-la
Sentiu a amada fria
E ao olhar com mais cuidado
Sua esperança sumia

XI

MOEMA estava morta
Com um semblante feliz
Como que agradecendo
Pelo amor de JANDUY
Com desespero e agonia
Gritou acordando a Aldeia
E todos correram ali

XII

O Cacique em dor profunda
Chamou o nome da filha
Mas ela não se mexia
Pois estava moribunda
E o choro de toda tribo
Lamentando o ocorrido
Confirmava o que ele via

XIII
Prepararam a cerimônia
Para sepultar MOEMA
E o guerreiro JANDUY
Ao lado de sua amada
Olhando para seu rosto
Mesmo com tanta dor
Viu como estava serena

XIV
Ao chegar à sepultura
No meio da frondosa mata
JANDUY de tanta dor
Por perder o seu amor
Não aguentando chorava
E seu choro era tamanho
Que o lugar inundava


XV

Do seu choro abundante
Surgiu o primeiro “olheiro”
Depois vieram os outros
Bem diante dos guerreiros
 Que mostravam o corpo nu
Surpresos viram surgindo
O grande RIO MOPPEBU

XVI
Esse Rio Mipibu
Surgido assim de repente
Do choro desesperado
Do guerreiro JANDUY
Por seu amor à MOEMA
Mesmo não sendo o de antes
Ainda está ali

XVII

À grande Mata da Bica
Palco daquele amor
Dos dias por eles vividos
Que findou com tanta dor
 JANDUY deu de presente
E a tribo ficou contente
Com o Rio Mipibu

XVIII

Para quem ler esses versos
Fica escrita uma lição
Não duvide do amor
De quem tem um coração
Pois mesmo com um corpo perfeito
Eu já vi muitas pessoas
Vivendo na solidão


XIX

MOEMA e JANDUY
Provaram pra humanidade
Que um grande amor é possível
Basta ter sinceridade
Que milagres acontecem
Tanto faz EU como TU
E pra provar o que digo
VEJA O RIO MIPIBU!!!

                                                                                                   Maria Lúcia Amaral












Um comentário:

  1. Duvidar do AMOR!!!! Jamais amiga Lucia. Adorei estes Versos. Lindos mesmo. Bjos.

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