PÁSSARO NEGRO
(Vera Lúcia Cavalcanti)
Gosto
de brincar com as palavras
De
fazer rimas e trocadilhos
Aproveitar
passagens e criar situações
Dentro
desta minha diretriz
Resolvi
falar do amigo CANCÃO
Manoel
da Silva Mariano é este o seu nome
Jovem
respeitador, trabalhador e sisudo
Aos
domingos não perdia a missa
Vestido
em linho branco bem engomado
E
sapatos pretos muito bem engraxados
Foi
assim, ainda criança que via este rapaz
Filho
de pais pobres, simples e honesto
Certamente
cheio de sonhos e ilusão
Desfilava
com sua namorada,
Sempre
dedicado,
Vaidoso,
pomposo e enfatiotado
De
repente, não se sabe como nem por que
O
jovem perdeu o juízo e se transformou
Virou
falante, profeta e orador
Perdeu
a saúde, a vaidade e a emoção
Talvez
pela sua cor,
O apelidaram
de CANCÃO
Dizem
que esta transformação
Teve
culpa uma certa donzela
Que
perdera a sua pureza
E a
honra por ele, não foi reparada
"A
macumba" foi a vingança
Por
ela encontrada
Se
é especulação ou fato, eu não sei dizer
Até
porque não dou crédito ao assunto
Só
sei dizer que o seu juízo não recuperou
Sempre
atento aos movimentos da cidade
Para
uma nova tese defender e compor
Incorporou
intelectual e defensor
Dos
bons costumes e da ordem
A
proclamar sua oratória pelas ruas
Muitas
palavras sem sentido, outras não
Assim
termino a prosa do inofensivo CANCÃO

