segunda-feira, 18 de maio de 2015

O ADEUS AO “PADRE ANTONIO PAIVA”




   Monsenhor Antonio Xavier de Paiva nasceu em Vera Cruz no dia 26 de maio de 1850. Estudou no Seminário de Olinda, depois em Roma onde se ordenou sacerdote em 1871. Foi Vigário da Igreja Matriz de Santana e São Joaquim em São José de Mipibu, de 1894 (ou 1896) a 1930 quando faleceu em 06 de junho de 1930. Exerceu a chefia da Intendência do Município, de 01 de janeiro de 1923 a 01 de janeiro de 1926, e recebeu esse mandato dos mipibuenses já bastante idoso, como forma de homenagem do seu rebanho, ao pastor querido que apesar de já ser MONSENHOR (título que recebeu em 1910), era carinhosamente chamado de ”Padre Antonio.” Era tio de Áureo Paiva que seria Prefeito de São José de Mipibu posteriormente. Foi ele quem mudou o nome de “BAGAÇO” para Monte Alegre em 1905. Foi também Deputado na Assembleia Legislativa da Província, de 1888 a 1889. Era um dos mais dignos e piedosos sacerdotes que se tem notícias.
   A vida de Monsenhor Paiva é pontilhada de extrema bondade para com a população humilde, pois era ela a grande preocupação na sua luta diária. Todos o abordavam numa atitude de reverência, tal era a sua ação de benevolência para com os pobres. Na seca de 1877 – que tanto flagelou a Província – a atuação do PADRE ANTONIO XAVIER DE PAIVA foi de profunda importância para os flagelados com a fundação de uma Colônia em Vera Cruz (que pertencia a São José de Mipibu na época) que chegou a abrigar cerca de 600 retirantes vindos das mais diversas partes da região. Esse abrigo representou um dos primeiros esboços de assistência social condicionada pela seca. É também atribuída a ele, a abertura da estrada de São José de Mipibu à Vera Cruz, que ficou conhecida como a “estrada do Padre.”
MONSENHOR PAIVA, era um incansável trabalhador do povo. Foi ele quem liderou como vigário – apoiado pela Prefeitura Municipal e população – a construção do “Cruzeiro do Século” em 1889 na passagem do século, e que ainda está de pé -  no lado territorial hoje pertencente ao Município de Nísia Floresta -  como símbolo da fé de um povo que ansiava por melhores dias no novo período que começava.

Ao Monsenhor Antonio Xavier de Paiva, a merecida homenagem de todos os Mipibuenses pelo que ele representou para o Município, e em especial, para a classe desfavorecida de recursos financeiros, isto é, PARA A POBREZA!!!

“MIREM-SE NO ESPELHO DESSAS MULHERES...”






     Cada pessoa é a soma das respostas que deu ao longo da vida às perguntas que lhe foram formuladas. O sucesso depende dos acertos das respostas. Mas as pessoas que mudam o próprio destino são aquelas que não se limitam a acertar respostas, mas também criam as próprias perguntas para o momento.
     O destino da humanidade também é determinado pelas respostas que, a cada momento, são dadas pelas pessoas do seu tempo, às velhas e às novas perguntas.
     As velhas perguntas apenas levam a civilização a continuar no rumo anterior; as novas provocam rupturas e forçam a humanidade a dobrar esquinas civilizatórias.
     Pois bem: nesse momento, me refiro às mulheres mipibuenses. Essas valentes formadoras de opinião deram suas respostas, influenciando a vida do nosso município, pois transformaram no seu tempo laborioso, a vida de muitos homens e mulheres que tiveram o privilégio de beberem na fonte da experiência e competência que delas emanavam, transformando-se em cidadãos capazes para enfrentar os desafios que advinham da caminhada a que se propuseram. Essas educadoras guerreiras no cotidiano do seu trabalho se perguntaram sobre o seu papel decisivo na formação daqueles que por suas mãos passaram, e desafiaram o seu tempo dando respostas concretas às dúvidas e questionamentos, próprios das buscas de todo ser humano em formação.
   Nesse mês dedicado A MULHER, destaco o valoroso trabalho dessas mulheres que enfrentaram desafios, venceram barreiras e galgaram um lugar especial no seio da sociedade. A elas, pela ternura do seu olhar quando crianças; pelo comportamento exemplar quando alunas; por todas as dúvidas que tiveram na puberdade; pela paixão jurada eterna do primeiro namorado; pelas batalhas no mercado de trabalho; pelo casamento e filhos que vieram; PARABÉNS! Pela fome exasperada que deturpam os traços infantis; pelo desejo insatisfeito de estudar; pela apresentação seca e abrupta do “ser moça”; pelos amores idos e vindos a lhe maltratar o coração; pela profissão não escolhida, mas imposta; pelo sonho de uma família feliz, que nem no sonho assim consegue ser, PARABÉNS! Por todas que estão a nascer, ou por aquelas que estão a morrer; por todas as cultas; por aquelas que nem a cultura ousou aproximar-se; por todas as adolescentes, ou por aquelas que nem prematuramente assim o foram; por todas as enamoradas, ou por aquelas carentes de amor; por todas as funcionárias, ou por aquelas que têm por patrão, a vida; por todas as casadas, ou por aquelas que a isso, preferiram a solidão.
PARABÉNS! PARABÉNS GUERREIRAS MIPIBUENSES,pela infância,colégio,adolescência,amorestrabalho,casamento,dores,alegrias,tristezas,saudades, emancipação e vida. PARABÉNS, acima de tudo, POR SER MULHER. Através destas, estendo minha homenagem às demais valorosas educadoras mipibuenses!!!  

UM CERTO CARNAVAL EM MIPIBU


      A Década de 80 foi muito produtiva para o Carnaval mipibuense; foi a época da proliferação de agremiações carnavalescas, quando surgiram no cenário momesco, AS FOFOLETES, O FUXICO, O SKULAXO, OS KASSAKUS, OS APACHES, OS YUNKARS, A GABRIELA, OS FOLIÕES DO SAMBA, O BLOCO DOS BICHOS, AS NÊGAS BAIANAS e outros que me fogem à memória. Os MALANDROS DO SAMBA já estavam no cenário carnavalesco da cidade, desde 1959, se bem que com denominações diferentes como CORSÁRIOS DO AMOR, depois CORSÁRIOS DO SAMBA, até ficar com nome definitivo. Foi a época das orquestras de metais, e muitas vezes o nosso Carnaval foi feito com a própria Banda de Música Municipal que era bem estruturada, levando o povão ao delírio com os grandes frevos pernambucano. As ruas de São José não eram "ornamentadas" como hoje. Em compensação a frente da Matriz (naquela época não havia nenhuma objeção em se ocupar aquele espaço) se tornava o "território sagrado de Momo" nos quatro dias de folia, enfeitado e iluminado, congregando a massa humana que pra lá se deslocava, tal era a magia dos frevos e a cadência do samba executados. No palco armado em frente à Igreja no sábado do ZÉ PEREIRA, acontecia a abertura oficial dos festejos, feita pelo mandatário Municipal, que entregava as chaves da cidade ao mandatário da alegria nos quatro dias de Carnaval - O REI MOMO -  escolhido por votação ou indicado, por ser o mais gordo. Nos dias seguintes (domingo, segunda e terça), a rua se transformava no espaço livre e democrático da imaginação humana, com seus papangus - às vezes não tão engraçados pela irreverência - alegres com seus trejeitos que levava o público à gargalhadas, mexendo ora com uns, ora com outros!
De repente, surgiam as tribos de índios TUPIS GUARANIS com o Mestre Graciano e sua família, OS APACHES com o saudoso José Estevão também com a sua família, todos com a sua coreografia característica, culminando com os TUPIS GUARANIS realizando a tão conhecida "morte do caçador" na terça feira, produzindo ainda um êxtase no público que assistia, sem se importar de já ter presenciado o mesmo fato em carnavais anteriores.
Subitamente todos olhavam para o mesmo lugar de onde "ela vinha" majestosa e elegante nos seus mais de dois metros de altura - A GABRIELA, obra do laborioso José Corsino – (in memorian) trazendo consigo uma legião de seguidores e admiradores do Carnaval. Era uma época em que ainda se vestia fantasias - lindas por sinal - evocando as Civilizações antigas como a Grécia e Roma, além dos mascarados ARLEQUINS, PIERRÔS e COLOMBINAS; época dos "corsos" (hoje carreatas) e do "lança perfume", das batalhas de confetes e serpentinas, do BLOCO DOS BICHOS de Seu Manoel Gomes  (aquele que carregava água da caixa d'água para as residências e só tinha um braço) que ficou depois com Seu Jaime do PA, das NÊGAS BAIANAS de Seu Manoel Carneiro e sua irmã D. Maria Carneiro, e outras agremiações que não lembro!
Era a glória!!! O Carnaval de São José era famoso e conhecido nos meios "radiofônicos" e jornalísticos do Estado, como um dos melhores Carnavais do interior. Atentem para o detalhe: Essa foi a época do final de uma administração política que, mesmo o seu representante gostando de Carnaval (certa ocasião ele mais dois amigos compareceram a um baile na Associação fantasiados de Reis Magos), não era muito generoso nas "doações" da Prefeitura para ajudar os blocos carnavalescos do Município e os motivos dessa atitude, preferimos omitir, pois não vem ao caso. Ao assumir, seu sucessor não gostava de Carnaval, mas credenciou uma equipe para fazer frente à organização do evento. Foram criados mecanismos como a COC (Comissão Organizadora do Carnaval), oficializou-se o apoio financeiro às agremiações, a ornamentação do centro da cidade era imprescindível e assim, fluíam mais blocos de rua e a participação do povo era bem maior. Na 4ª feira de Cinzas, havia a PREMIAÇÃO DOS BLOCOS VENCEDORES com "nova noite carnavalesca" para o povo.
Assim podemos concluir que "por incrível que pareça,” esse Carnaval que ora apresento a vocês, aconteceu na cidade de São José de Mipibu nas décadas de 70/80. Éramos simples, felizes e inocentes mortais carnavalescos contagiados pela magia da festa, e despreocupados em receber (ou não) a doação da Prefeitura para brincar, pois O NOSSO CARNAVAL ERA MAIS PROFUNDO, POIS VINHA DA ALMA!!!

NOTA: Eu posso falar isso de cátedra, pois - na época - era a Secretária de Educação do Município,(não havia Secretaria de Cultura) -  e coordenei pessoalmente o evento.

      

CENTRO HISTÓRICO DE MIPIBU




A cidade de São José de Mipibu possuía um grande número de construções centenárias que foram descaracterizadas pelo avanço do progresso, e pela predominância do capitalismo desenfreado. A beleza dessas construções caracterizava-se pela intensidade dos adornos e enfeites exóticos e geométricos nas suas fachadas, sobressaindo-se o estilo barroco. Segundo alguns historiadores elas foram construídas entre os séculos XVIII e início do século XIX, quando a nossa cidade e acidade de Ceará Mirim - entre as demais – encontravam-se no apogeu econômico consoante com o surgimento e a solidificação dos Engenhos de cana de açúcar. Em nosso Município, os 32 Engenhos existentes na época, estavam em pleno funcionamento colocando-o num patamar muito além dos demais.
   Hoje, o nosso acervo arquitetônico/histórico está reduzido a ainda imponente Matriz e aos dois velhos Sobrados (com suas fachadas descaracterizadas para atender ao apelo comercial dos atuais proprietários), o querido Grupo Escolar Barão de Mipibu (com seu prédio em franca decadência arquitetônica mesmo com algum empenho de algumas pessoas para preservá-lo), algumas fachadas de antigas residências em estilo colonial também transformadas em casas comerciais ou repartições públicas (como a residência que pertenceu ao inesquecível Barão de Mipibu) e outras, completamente transformadas interna e externamente ou derrubadas como as casas que pertenceram às FAMÍLIAS COUTINHO, FERREIRA, MACEDO, CÂMARA BAKKER e  tantas outras, numa total falta de respeito ao patrimônio histórico da cidade, bem como  pela ausência de uma legislação específica por parte dos representantes do povo, no poder!
     Símbolo da fé dos mipibuenses católicos, a Igreja Matriz de São José de Mipibu, se ergue altaneira sobre a cidade, ostentando uma imponência impressa na sua fachada, advinda dos áureos tempos pelos quais passou o Município. Suas duas torres são as sentinelas de um tempo esquecido pela poeira da historia dos Moppebus, de suas lutas pela subsistência, e de seu paulatino massacre em nome do progresso. Os sinos da nossa Matriz são a voz de todos os mipibuenses em momentos de fé e louvação, mas também é o lamento de dor quando se perde em filho da terra.
   A Igreja Matriz de São José de Mipibu é um marco histórico de um Povoado que se tornou Vila e esperou 83 anos para ser uma cidade livre e autônoma politicamente, é o templo representativo de um povo forte e corajoso, que tem na fé suas mais genuínas manifestações de amor e orgulho à terra dos Moppebus
GRUPO ESCOLAR BARÃO DE MIPIBU – Com os traços originais completamente desgastados, já não é mais tão imponente nem representa mais a modernidade de uma época. Sua infraestrutura é carente de cuidados diários, e sua utilidade como educandário ficou inviável. Mas nele reside o orgulho e a vaidade de um tempo e isso só conhece, quem teve o privilégio de estudar ou trabalhar nas centenárias salas desse prédio que é um dos maiores acervos arquitetônico da cidade de São José de Mipibu, comparável apenas com a singularidade da nossa Matriz!
Foi criada em 1938 pelo reverendo Carl Mathews, numa época em que na cidade de São José de Mipibu predominava a intolerância religiosa. A família Mathews residiu em São José de Mipibu até a morte do seu fundador em 1996.

Visão antiga da atual Praça Desembargador CELSO SALES. Atualmente só nos restam as lembranças boas da antiga praça, pois esta atual está sem identidade física, uma vez que não tem resquícios da antiga e simples AURÉLIO PINHEIRO nem a imponência da CELSO SALES construída em 1981.  O que sobrou foram ruínas das “inovações daninhas” em nome de uma modernidade mal gerida.


A CASA DE DR. MATTWES

Não. Não era uma casa engraçada; era uma casa linda na sua arquitetura, aliás, muito avançada para a época e para a cidade. Tinha teto e tinha tudo, pois tinha a tenacidade de uma família - tendo à frente o seu líder, o Dr. Mattews - vinda de outro país, outra cultura e outros costumes, fincar no Estado do Rio Grande do Norte - precisamente em São José de Mipibu - os pilares de uma doutrina nova, até então desconhecida nos domínios seculares dos ditames que vinham do Vaticano. Tinha o "teto" acolhedor para todos quantos quisessem participar DO CULTO DOMÉSTICO MATINAL, realizado todos os dias com a família Mattews, precisamente às 08 horas por ocasião do café. Todos queriam morar ali sim, porque naquela casa surgiram as primeiras ideias, posteriormente os primeiros projetos daquela que seria A PRIMEIRA IGREJA BATISTA REGULAR no Estado do Rio Grande do Norte e, em São José de Mipibu. Todos gostariam de morar lá, para vivenciarem  o clima de amor, carinho e compreensão reinantes naquelas paredes, onde era guardada a fé de uma família cristã decidida a executar ao pé da letra o "IDE" ensinado pelo Mestre dos Mestres. Tinha aquela casa, paredes, teto, jardins e foi feita com muito esmero pela Missão Evangélica Americana, patrocinadora da vinda dos Missionários aonde quer que o Evangelho precisasse ser pregado; esses missionários - incluindo aí o Dr. Mattews - pertenciam a Sociedade Batista das Missões Nacionais. O pioneiro dessa ação em terras potiguares foi o Pastor Carl Mattews - que  juntamente com a sua família – foi o responsável  pelo nascimento da Primeira Igreja Batista Regular do Rio Grande do Norte, bem como das demais Igrejas que surgiram nos outros Municípios partindo  dessa Igreja Mãe!
      Não era uma "casa engraçada"; era uma casa onde reinava - na acepção da palavra - a mais pura demonstração de uma fé inabalável; casa que tinha os alicerces fincados no respeito aos outros credos religiosos, mesmo não recebendo de seus adéptos, a reciprocidade ao culto que professavam seus moradores. Ali naquela casa, a Igreja Batista Regular crescia, quer nos ensaios dos hinos evangélicos que D. Adelaide (esposa do Dr. Mattews) tão bem regia ao piano, bem como no teatro infantil (do qual tive a honra de participar, pois frequentava a Igreja e era amiga de Hilém sua filha) comandado por "Jerinha" professora da Escola Dominical e responsável pelo teatro. Muitas outras famílias acorriam às reuniões de senhoras  realizadas também naquela casa e todos, embalados pelo clima de amor e fé daquela família, com os amigos que privavam do seu convívio e os visitantes desejosos de comungar daquele ambiente sadio e acolhedor, viam "naquela casa" não APENAS UMA CASA COM TETO E PAREDES, mas um refúgio seguro para ouvir a pregação da Palavra do Mestre e deliciarem-se com a música sublime dos cânticos evangélicos entoados por um coral de jovens senhoras.
      Hoje daquela casa apenas a doce lembrança, o sussurro do tempo e as imagens apreendidas na retina, de um fato consumado pela derrubada de suas paredes, paredes essas fincadas com o amor de quem cumpriu verdadeiramente o "IDE POR TODO O MUNDO E PREGAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!!!"
   Ao Reverendo Carl Mattews, sua mulher Adelaide Mattews e aos filhos Ricardo, Hilém, Suzy e *Carlito (filho do primeiro casamento) em nome dos meus conterrâneos, obrigada por ter honrado - com a permanência de vocês entre nós - a terra dos Moppebus!!!!

CAFÉ MIPIBU






      De propriedade de Cecília Ferreira da Silva – com 100 anos de idade -  morando com o filho Irrailson em Natal capital do Estado Do Rio Grande do Norte, o CAFÉ MIPIBU ficou conhecido por esse nome em virtude de todos os veículos que viessem das cidades vizinhas como Canguaretama, Goianinha, Espírito Santo, Arês, Vázea, vila Flor, Georgino Avelino e outras da região, estacionarem no ponto comercial  em que se transformou a sua residência, atraídos pelos famosos bolos de ovos, pé de moleque, batata, macaxeira e outros sabores, além dos gostosos cequilhos, raivas e grudes feitos da farinha de mandioca, produto abundante no Município. A procura era motivada pela propaganda  feita “boca a boca” literalmente de tantos quantos viajavam para essas localidades e obrigatoriamente faziam uma paradinha em Mipibu, para tomarem o gostoso café da D. Cecília; daí para o nome CAFÉ MIPIBU foi questão de pouco tempo.
      No início D. Cecília vendia seus produtos – feitos por ela -   na sua própria casa e nas paradas dos ônibus e outros veículos que lá estacionassem ajudada por seu filho João Batista que ficou com ela até os 13 anos de idade quando foi vítima de uma fatalidade, morrendo prematuramente. Então no ano de 1953 em face da grande procura e não contando mais com ajuda do filho, ela resolveu transformar a sua residência num ponto comercial oficialmente.

      O CAFÉ MIPIBU era ponto obrigatório dos passageiros e condutores dos veículos que passassem pela BR 101 e se localizava as margens dessa BR no final da rua Professor João Tibúrcio, 222. Com os trabalhos de alargamento da pista da BR na década de 1970 ela se viu obrigada a fechar o CAFÉ MIPIBU e isso foi oficializado nos anos 1972/1973, quando foi indenizada pelo DNER (hoje DENIT), indo residir em Natal com seus filhos. Foi uma época onde as pessoas progrediam no seu ramo de negócios com muitas lutas e sacrifícios, mas seguramente “com o suor do próprio rosto” e D. Cecília participou de um momento raro em que São José de Mipibu viveu, ou seja, quando os povos de outras cidades descobriram o CAFÉ MIPIBU pelos sabores de sua culinária regionalista, mas, sobretudo pelo aconchego de pessoas amigas como ela e sua família. Nessa pequena homenagem, nosso carinho à D. Cecília do CAFÉ MIPIBU, que mesmo tendo passado pelos reveses da vida – como a perda do seu filho – soube educar sua família dentro dos princípios da honestidade e do respeito pelos semelhantes. Infelizmente não foi possível conseguir fotos da época áurea do citado ponto comercial, mas atualmente o prédio do que foi o Café Mipibu está na responsabilidade de um dos filhos de D. Cecília para quem quiser” matar a saudade daquele tempo”.   

PEQUENA HISTÓRIA DA USINA "LUZ E FORÇA"

 

            Elí Gomes de Abreu, (mais conhecido Elí Alexandrino) filho do ex Prefeito Áureo Tavares de Araújo e de Maria Gomes de Abreu (não foi registrado com o nome do pai por motivos particulares, que aqui não são relevantes). Começou a trabalhar na USINA “LUZ E FORÇA” de propriedade do senhor Júlio Cavalcanti Ramalho, no dia 01 de do setembro de 1957 (Portaria nº 78 do Poder Executivo) e saiu em 1969, quando a energia de Paulo Afonso já havia chegado à nossa cidade em 1965, e a Usina foi desativada e alguns dos seus funcionários perderam o emprego, inclusive Eli, após 12 anos trabalhando como “Auxiliar de Foguista”, ganhando dois mil cruzeiros; o titular “Foguista” ou “Maquinista” era João Lunguinho de Souza, ou simplesmente ZERIEL, ganhando mais de três mil cruzeiros de salário. Outros, como Manoel Francisco de Lima (Seu Manoel de D. Alexina) foi contratado pela Prefeitura para ser “ajudante de maquinista” com um salário de três mil cruzeiros, e José Estevão de Lima Filho (Zé da Caixa ou “Caxixí) foi contratado para ser o “encarregado” da Caixa D’água da referida Usina (Portaria nº 79 de 19 de agosto de 1959, ganhando hum mil cruzeiros); Manoel Lima de Oliveira – ou simplesmente Oliveira, foi contratado pela Prefeitura Municipal para exercer as funções de “Maquinista da Caldeira” da Fonte Pública (Portaria Municipal nº 80 de 19 de agosto de 1959, percebendo um salário de dois mil cruzeiros). Segundo Elí,  “ o pagamento das contas da luz, era feito na casa do proprietário” (onde atualmente é o anexo da casa da família do senhor Serafim) sob a responsabilidade de uma funcionária, entre elas a saudosa Isa Palhano. Posteriormente  esse  pagamento (passou a ser feito nas dependências da Usina.

O prédio da Usina era formado desde a Caixa D’água -  onde atualmente é a sede da Câmara Municipal -  até o depósito de lenha, hoje a “gruta”, formando assim um só bloco: CÂMARA MUNICIPAL, CERÂMICA “MARTA JOB”, IRMANDADE E GRUTA, era o antigo prédio da USINA LUZ E FORÇA DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU até 1965, quando os motores foram arrancados e vendidos como “sucata”, numa atitude leviana e interesseira de quem de direito na época! O motor grande gerava a energia e o pequeno, puxava a água da fonte da Bica através de uma bomba, abastecendo – além de São José de Mipibu – Nísia Floresta, Monte Alegre, Vera Cruz, além dos engenhos; os postes eram de madeira e as lâmpadas de 15 velas.

            Antigamente, a cidade de São José de Mipibu Era iluminada pelos velhos e famosos Lampiões de gás – como em quase todas as cidades do país – que eram acesos por um funcionário da Intendência  (um desses foi José Palhano, pai de Eusa Palhano)) que todas as tardes noites, saía com um longo cabo de madeira e colocava o gás nos lampiões para depois acendê-los.




RÁDIO AMADORES EM SÃO JOSÉ DE MIPIBU



      Muito poucos mipibuenses sabem da existência de RÁDIO AMADORES operando ainda em nossa cidade. Fato é que no ano de 1983 operava na cidade de São José de Mipibu, uma ESTAÇÃO DE RÁDIO AMADOR de propriedade do senhor Benedito de Paula Fernandes Puertes – o nosso saudoso “Benedito Puertes” – autorizada pelo Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações).
      Benedito Puertes residia anteriormente em São Paulo e já era operador de rádio amador há cerca de 30 anos e continuou a fazê-lo na cidade de São José de Mipibu onde prestou relevantes serviços não somente à nossa cidade, bem com o ao nosso Estado. Após o seu falecimento, a cidade passou a contar com o legado por ele deixado (através de sua atuação como rádio amador), na pessoa de abnegados seguidores como Francisco de Assis Belarmino, cuja atuação eu pude ver recentemente quando ele se comunicou com um companheiro também rádio amador fora dos limites do nosso país, a título de nos mostrar a eficiência desse meio de comunicação. O senhor Francisco Belarmino está totalmente autorizado pelas leis que regem esse sistema e usa o prefixo PU7IRG e está localizado na Avenida Senador João Câmara, 99 nesta cidade.  Entre os serviços prestados à nossa cidade pelo Rádio Amador Benedito Puertes, destacamos um fato que aconteceu em 1981, quando ele recebeu informações - através desse sistema de comunicação – da Secretaria de Segurança do Estado do Rio Grande do Norte, que a capital Natal, precisava de ajuda por se encontrar totalmente “as escuras,” em virtude de pane no setor elétrico causado pelas enchentes ocorridas na cidade de Santa Cruz e Campo Redondo. Benedito acionou os rádio amadores de todo país e trabalhando diuturnamente, em menos de 24 horas conseguiram ajudar a população desabrigada, com doações de remédios, agasalhos, alimentos, etc., e as autoridade de Natal puderam mais tranquilamente voltar-se ao problema da falta de energia, quando as providências mais urgentes já estavam sendo executadas pelos rádios amadores do Brasil, através do socorro prestado por Benedito Puertes, daqui de São José de Mipibu.
      Outro fato corrido aqui na cidade, esse de caráter particular e com a minha família – A FAMÍLIA AMARAL – foi em 1982 quando do falecimento do patriarca da família Sebastião Amaral, meu pai. Nossa família estava com dificuldades de comunicação com o meu irmão Joel Amaral - que nessa ocasião estava navegando em águas próximas ao Japão uma vez que ele era embarcado no navio da DOCE MAR, uma Companhia de transportes marítimos – e esse contato foi feito através de Puertes, via rádio amador.

      O sistema de Rádio Amadores era em tempos atrás a Internet de hoje, conectada ao mundo todo através das suas ondas e de sua legião de operadores, verdadeiros “anjos” salvadores de vidas. Atualmente em São José de Mipibu, essa chama da Boa Vontade continua acesa através de pessoas como FRANCISCO DE ASSIS BELARMINO e sua estação de rádio amador de prefixo PU7KLB atuando devidamente credenciado pelas leis do país que regem esse sistema de comunicação, na Avenida Senador João Câmara, 99 nesta cidade, juntamente com Rivaldo Galvão Filho de prefixo PUTIRG companheiro do mesmo objetivo.  Eles permanecem em contato com o mundo - mesmo com a existência da Internet - mas  sem o risco do sistema sofrer uma PANE GERAL, fazendo com que todo sistema de computadores saia do ar. Guardadas as devidas proporções, o sistema de rádio amador é mais seguro do que a Internet, tendo em vista que não corre os “riscos” virtuais que contaminam as máquinas prejudicando os serviços vitais para a população, além de formar – sem o sistema sair do ar – uma legião de benfeitores da humanidade. Nossa reverência ao excelente legado deixado por BENEDITO DE PAULA FERNANDES PUERTES, um desses benfeitores e ao senhor Francisco Belarmino continuador desse legado em nossa cidade!

O PARQUE DE SEU MANOEL “CACHORRO QUENTE”






            O Parque S. José, de propriedade de Manoel Ribeiro da Silva, popularmente conhecido como parque de Cachorro Quente. Manoel Ribeiro da Silva, batalhador e incansável empreendedor neste tipo de comércio, juntamente com a sua família. Popularizou- se como “Manoel Cachorro Quente” pelo fato de ter sido ele o pioneiro a trazer para nossa cidade esta guloseima e como consequência disso, surge o nome fantasia do seu parque.
            O Parque fazia a alegria da garotada mipibuense e das cidades vizinhas. Seu Manoel estava sempre inovando e trazendo quando podia algo novo por mais singular que fosse e assim, seu parque ia se superando, com mais uma atração. Além dos brinquedos, o parque contava com um serviço de “altofalantes” onde os apaixonados, afins ou aniversariantes do dia, ouviam uma “gravação“ (assim era anunciado) com o oferecimento de uma música de sucesso, na voz de Waldik Soriano, Núbia Lafayete, Ângela Maria, Roberto Carlos e os seguidores do yê, yê, yê ou (Jovem Guarda) e a empolgante italianinha Rita Pavone com os seus sucessos.
Quantas vezes nestas dedicatórias assim se ouvia: “Atenção muita atenção, alguém de camisa branca, escute esta gravação que alguém de vestido azul lhe oferece com muito amor e carinho...ou de 
Alguém para alguém, com muito amor e carinho, na voz de Teixeirinha...Coração de Luto”.   Imagine uma festa de final de ano onde a cidade recebia inúmeros visitantes das cidades vizinhas, além dos habitantes da própria cidade (gente que não acabavamais).Como localizar estes felizardos?...Já imaginou quantos questionamentos e procura e quantas dúvidas para aqueles que se trajavam dentro do anunciado. Serei eu, ou serás tu? Será que foi ele? Enfim...!
            Veja que simplicidade, as pessoas eram na sua maioria, simplórias e se não bastasse a declaração de amor, o convite do apaixonado (a) a dramática música do Teixeirinha “Coração de Luto”...  Hilário? Pode até ser, mas a ingenuidade não permitia que houvesse interpretarão do conteúdo da referida música.  O importante era a mensagem, o recado; a música, um sucesso e eles gostavam. A relação da letra dramática com o apelo sentimental era o que menos importava.
            Na bilheteria do parque a fila só aumentava. A garotada empolgada com seus “ingressos” - comprados às vezes com muito sacrifício dos pais – só tinha olhos para a “JUJU” (carrocel) para os BOTES (balanços). Tudo era festa, sonho, fantasia de criança e de adultos também! Havia vários tipos de carrocel:

.O Carrossel (tradicional) com bancos de madeira, onde era frequentado mais pelos rapazes e moças (namorados) uma maneira de disfarçadamente pegar na mão, levarem um papo, e até por senhores e senhoras também descontraírem.

.O Carrossel de Cavalinhos, este destinado as crianças que se deliciavam ao trote do cavalinho por ela escolhido; umas sozinhas; outras, acompanhadas com seus pais que ficavam de pé ao lado, segurando seu filho quando este ainda necessitava desse cuidado. A alegria deste pai ou desta mãe era o reflexo da felicidade do seu filho.

.O Carrossel de cadeirinhas (JUJU) também destinado às criancinhas de pouca idade, presa na parte da frente e movido manualmente através de uma manivela, sempre com muito cuidado, caso houvesse a necessidade de parar para tirar aquela que estivesse enjoando ou com medo.

             Os Botes, que normalmente eram utilizados por adolescentes e jovens em dupla - cada qual puxando a corda na extremidade - impulsionava o mesmo com ajuda do corpo, sempre competindo uns com os outros, para ver quem levava o seu bote mais alto, como diziam “quem empinava mais alto”. Era comum ver alguém pedindo para parar antes da hora, porque havia enjoado e o vômito era inevitável para desespero do seu parceiro (a). Imediatamente era colocada uma tábua em baixo do bote e cada vez que acontecia o atrito, o mesmo  ia perdendo sua velocidade, amortecendo e finalmente freando. Este era um dos brinquedos favoritos.
            Finalmente, a Roda Gigante. Sensacional!  Este era o brinquedo mais procurado pelos mais corajosos e afoitos. Enquanto girava, seus ocupantes ouviam várias músicas do serviço de alto falante e aproveitavam para cantarem juntos e quando chegavam ao alto, gritavam, balançavam a cadeira, como uma maneira de mostrar que eram corajosos (um perigo). Eram repreendidos pelo responsável. Mas de nada adiantava. A teimosia e a indisciplina sempre fizeram parte dos adolescentes e dos jovens, independente da época. Este detalhe era próprio dos mais afoitos, mais levados. Na verdade, era uma “indisciplina” saudável sem maldade, com o intuito apenas de brincar, se exibir, sem faltar com o respeito àqueles que nos repreendiam.
            O parque também tinha seu atrativo na parte de lanches como pipoca, cocada, confeitos chicletes e o famoso vilão: O cigarro. Este era o bicho; quem podia comprava uma carteira (maço); quem não tinha este privilégio, comprava à varejo até porque a maioria fumava escondido dos pais. Relembrar o parque de Manoel Cachorro Quente é uma alegria muito grande. É uma saudade gostosa de momentos maravilhosos  vividos juntamente com  amigos e uma oportunidade para levar às novas gerações  um pouco da nossa história, das dificuldades dos nossos pais e das nossas próprias, em busca do lazer.
            Quero aproveitar a oportunidade para homenagear e agradecer a Seu Manoel (in memoram), por ter feito a alegria da garotada e por ter participado de um momento especial da vida mipibuense, sendo pioneiro desse tipo de lazer em nossa cidade.