O
Parque S. José, de propriedade de Manoel Ribeiro da Silva, popularmente
conhecido como parque de Cachorro Quente. Manoel Ribeiro da Silva, batalhador e
incansável empreendedor neste tipo de comércio, juntamente com a sua família. Popularizou-
se como “Manoel Cachorro Quente” pelo fato de ter sido ele o pioneiro a trazer
para nossa cidade esta guloseima e como consequência disso, surge o nome
fantasia do seu parque.
O
Parque fazia a alegria da garotada mipibuense e das cidades vizinhas. Seu
Manoel estava sempre inovando e trazendo quando podia algo novo por mais
singular que fosse e assim, seu parque ia se superando, com mais uma atração. Além
dos brinquedos, o parque contava com um serviço de “altofalantes” onde os
apaixonados, afins ou aniversariantes do dia, ouviam uma “gravação“ (assim era
anunciado) com o oferecimento de uma música de sucesso, na voz de Waldik
Soriano, Núbia Lafayete, Ângela Maria, Roberto Carlos e os seguidores do yê,
yê, yê ou (Jovem Guarda) e a empolgante italianinha Rita Pavone com os seus
sucessos.
Quantas vezes nestas dedicatórias assim se
ouvia: “Atenção muita atenção, alguém de camisa branca, escute esta gravação
que alguém de vestido azul lhe oferece com muito amor e carinho...ou de
Alguém
para alguém, com muito amor e carinho, na voz de Teixeirinha...Coração de
Luto”. Imagine uma festa de final de
ano onde a cidade recebia inúmeros visitantes das cidades vizinhas, além dos
habitantes da própria cidade (gente que não acabavamais).Como localizar estes felizardos?...Já imaginou quantos questionamentos e procura e quantas
dúvidas para aqueles que se trajavam dentro do anunciado. Serei eu, ou serás
tu? Será que foi ele? Enfim...!
Veja
que simplicidade, as pessoas eram na sua maioria, simplórias e se não bastasse
a declaração de amor, o convite do apaixonado (a) a dramática música do
Teixeirinha “Coração de Luto”...
Hilário? Pode até ser, mas a ingenuidade não permitia que houvesse
interpretarão do conteúdo da referida música.
O importante era a mensagem, o recado; a música, um sucesso e eles
gostavam. A relação da letra dramática com o apelo sentimental era o que menos
importava.
Na
bilheteria do parque a fila só aumentava. A garotada empolgada com seus
“ingressos” - comprados às vezes com muito sacrifício dos pais – só tinha olhos
para a “JUJU” (carrocel) para os BOTES (balanços). Tudo era festa, sonho,
fantasia de criança e de adultos também! Havia vários tipos de carrocel:
.O Carrossel (tradicional) com bancos de madeira,
onde era frequentado mais pelos rapazes e moças (namorados) uma maneira de
disfarçadamente pegar na mão, levarem um papo, e até por senhores e senhoras
também descontraírem.
.O Carrossel de Cavalinhos, este destinado as
crianças que se deliciavam ao trote do cavalinho por ela escolhido; umas
sozinhas; outras, acompanhadas com seus pais que ficavam de pé ao lado,
segurando seu filho quando este ainda necessitava desse cuidado. A alegria
deste pai ou desta mãe era o reflexo da felicidade do seu filho.
.O Carrossel de cadeirinhas (JUJU) também
destinado às criancinhas de pouca idade, presa na parte da frente e movido
manualmente através de uma manivela, sempre com muito cuidado, caso houvesse a
necessidade de parar para tirar aquela que estivesse enjoando ou com medo.
Os Botes, que normalmente eram utilizados por
adolescentes e jovens em dupla - cada qual puxando a corda na extremidade -
impulsionava o mesmo com ajuda do corpo, sempre competindo uns com os outros,
para ver quem levava o seu bote mais alto, como diziam “quem empinava mais
alto”. Era comum ver alguém pedindo para parar antes da hora, porque havia
enjoado e o vômito era inevitável para desespero do seu parceiro (a).
Imediatamente era colocada uma tábua em baixo do bote e cada vez que acontecia
o atrito, o mesmo ia perdendo sua
velocidade, amortecendo e finalmente freando. Este era um dos brinquedos
favoritos.
Finalmente,
a Roda Gigante. Sensacional! Este era o
brinquedo mais procurado pelos mais corajosos e afoitos. Enquanto girava, seus
ocupantes ouviam várias músicas do serviço de alto falante e aproveitavam para
cantarem juntos e quando chegavam ao alto, gritavam, balançavam a cadeira, como
uma maneira de mostrar que eram corajosos (um perigo). Eram repreendidos pelo responsável.
Mas de nada adiantava. A teimosia e a indisciplina sempre fizeram parte dos
adolescentes e dos jovens, independente da época. Este detalhe era próprio dos
mais afoitos, mais levados. Na verdade, era uma “indisciplina” saudável sem
maldade, com o intuito apenas de brincar, se exibir, sem faltar com o respeito
àqueles que nos repreendiam.
O
parque também tinha seu atrativo na parte de lanches como pipoca, cocada,
confeitos chicletes e o famoso vilão: O cigarro. Este era o bicho; quem podia
comprava uma carteira (maço); quem não tinha este privilégio, comprava à varejo
até porque a maioria fumava escondido dos pais. Relembrar o parque de Manoel
Cachorro Quente é uma alegria muito grande. É uma saudade gostosa de momentos
maravilhosos vividos juntamente com amigos e uma oportunidade para levar às novas gerações
um pouco da nossa história, das
dificuldades dos nossos pais e das nossas próprias, em busca do lazer.
Quero
aproveitar a oportunidade para homenagear e agradecer a Seu Manoel (in
memoram), por ter feito a alegria da garotada e por ter participado de um
momento especial da vida mipibuense, sendo pioneiro desse tipo de lazer em
nossa cidade.