Não. Não era uma casa engraçada; era uma casa linda na
sua arquitetura, aliás, muito avançada para a época e para a cidade. Tinha
teto e tinha tudo, pois tinha a tenacidade de uma família - tendo à frente
o seu líder, o Dr. Mattews - vinda de outro país, outra cultura e outros
costumes, fincar no Estado do Rio Grande do Norte - precisamente em São José de
Mipibu - os pilares de uma doutrina nova, até então desconhecida nos
domínios seculares dos ditames que vinham do Vaticano. Tinha o
"teto" acolhedor para todos quantos quisessem participar DO
CULTO DOMÉSTICO MATINAL, realizado todos os dias com a família Mattews, precisamente
às 08 horas por ocasião do café. Todos queriam morar ali sim, porque naquela
casa surgiram as primeiras ideias, posteriormente os primeiros
projetos daquela que seria A PRIMEIRA IGREJA BATISTA REGULAR no
Estado do Rio Grande do Norte e, em São José de Mipibu. Todos gostariam de
morar lá, para vivenciarem o clima de amor, carinho e compreensão
reinantes naquelas paredes, onde era guardada a fé de uma família cristã
decidida a executar ao pé da letra o "IDE" ensinado pelo Mestre dos
Mestres. Tinha aquela casa, paredes, teto, jardins e foi feita com
muito esmero pela Missão Evangélica Americana, patrocinadora da vinda dos
Missionários aonde quer que o Evangelho precisasse ser pregado; esses
missionários - incluindo aí o Dr. Mattews - pertenciam a Sociedade Batista
das Missões Nacionais. O pioneiro dessa ação em terras
potiguares foi o Pastor Carl Mattews - que juntamente com a sua
família – foi o responsável pelo
nascimento da Primeira Igreja Batista Regular do Rio Grande do Norte, bem
como das demais Igrejas que surgiram nos outros Municípios partindo dessa Igreja Mãe!
Não era uma
"casa engraçada"; era uma casa onde reinava - na acepção da palavra -
a mais pura demonstração de uma fé inabalável; casa que tinha os
alicerces fincados no respeito aos outros credos religiosos, mesmo não
recebendo de seus adéptos, a reciprocidade ao culto que professavam seus
moradores. Ali naquela casa, a Igreja Batista Regular crescia, quer
nos ensaios dos hinos evangélicos que D. Adelaide (esposa do Dr.
Mattews) tão bem regia ao piano, bem como no teatro infantil (do qual tive
a honra de participar, pois frequentava a Igreja e era amiga de Hilém sua
filha) comandado por "Jerinha" professora da Escola Dominical e
responsável pelo teatro. Muitas outras famílias acorriam às reuniões de senhoras
realizadas também naquela casa e todos,
embalados pelo clima de amor e fé daquela família, com os amigos que
privavam do seu convívio e os visitantes desejosos de comungar daquele ambiente
sadio e acolhedor, viam "naquela casa" não APENAS UMA CASA COM
TETO E PAREDES, mas um refúgio seguro para ouvir a pregação da Palavra do
Mestre e deliciarem-se com a música sublime dos cânticos evangélicos entoados
por um coral de jovens senhoras.
Hoje daquela
casa apenas a doce lembrança, o sussurro do tempo e as imagens apreendidas na
retina, de um fato consumado pela derrubada de suas paredes, paredes essas
fincadas com o amor de quem cumpriu verdadeiramente o "IDE POR TODO O
MUNDO E PREGAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!!!"
Ao Reverendo Carl Mattews, sua mulher Adelaide Mattews e
aos filhos Ricardo, Hilém, Suzy e *Carlito (filho do primeiro casamento) em
nome dos meus conterrâneos, obrigada por ter honrado - com a permanência de
vocês entre nós - a terra dos Moppebus!!!!
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