A Década de 80
foi muito produtiva para o Carnaval mipibuense; foi a época da proliferação de
agremiações carnavalescas, quando surgiram no cenário momesco, AS FOFOLETES, O
FUXICO, O SKULAXO, OS KASSAKUS, OS APACHES, OS YUNKARS, A GABRIELA, OS FOLIÕES
DO SAMBA, O BLOCO DOS BICHOS, AS NÊGAS BAIANAS e outros que me fogem à memória.
Os MALANDROS DO SAMBA já estavam no cenário carnavalesco da cidade, desde 1959,
se bem que com denominações diferentes como CORSÁRIOS DO AMOR, depois CORSÁRIOS
DO SAMBA, até ficar com nome definitivo. Foi a época das orquestras de metais,
e muitas vezes o nosso Carnaval foi feito com a própria Banda de Música
Municipal que era bem estruturada, levando o povão ao delírio com os grandes
frevos pernambucano. As ruas de São José não eram
"ornamentadas" como hoje. Em compensação a frente da Matriz (naquela
época não havia nenhuma objeção em se ocupar aquele espaço) se tornava o
"território sagrado de Momo" nos quatro dias de folia, enfeitado e
iluminado, congregando a massa humana que pra lá se deslocava, tal era a magia
dos frevos e a cadência do samba executados. No palco armado em frente à Igreja
no sábado do ZÉ PEREIRA, acontecia a abertura oficial dos festejos, feita pelo
mandatário Municipal, que entregava as chaves da cidade ao mandatário da alegria
nos quatro dias de Carnaval - O REI MOMO - escolhido por votação ou indicado, por ser o
mais gordo. Nos dias seguintes (domingo, segunda e terça), a rua se
transformava no espaço livre e democrático da imaginação humana, com seus
papangus - às vezes não tão engraçados pela irreverência - alegres com seus
trejeitos que levava o público à gargalhadas, mexendo ora com uns, ora com
outros!
De repente, surgiam as tribos de
índios TUPIS GUARANIS com o Mestre Graciano e sua família, OS APACHES com o
saudoso José Estevão também com a sua família, todos com a sua coreografia
característica, culminando com os TUPIS GUARANIS realizando a tão conhecida
"morte do caçador" na terça feira, produzindo ainda um êxtase no
público que assistia, sem se importar de já ter presenciado o mesmo fato em carnavais
anteriores.
Subitamente todos olhavam para o mesmo
lugar de onde "ela vinha" majestosa e elegante nos seus mais de dois
metros de altura - A GABRIELA, obra do laborioso José Corsino – (in memorian)
trazendo consigo uma legião de seguidores e admiradores do Carnaval. Era uma
época em que ainda se vestia fantasias - lindas por sinal - evocando as
Civilizações antigas como a Grécia e Roma, além dos mascarados ARLEQUINS,
PIERRÔS e COLOMBINAS; época dos "corsos" (hoje carreatas) e do
"lança perfume", das batalhas de confetes e serpentinas, do BLOCO DOS
BICHOS de Seu Manoel Gomes (aquele que
carregava água da caixa d'água para as residências e só tinha um braço) que
ficou depois com Seu Jaime do PA, das NÊGAS BAIANAS de Seu Manoel Carneiro e
sua irmã D. Maria Carneiro, e outras agremiações que não lembro!
Era a glória!!! O Carnaval de São José
era famoso e conhecido nos meios "radiofônicos" e jornalísticos do
Estado, como um dos melhores Carnavais do interior. Atentem para o detalhe:
Essa foi a época do final de uma administração política que, mesmo o seu representante
gostando de Carnaval (certa ocasião ele mais dois amigos compareceram a um
baile na Associação fantasiados de Reis Magos), não era muito generoso nas
"doações" da Prefeitura para ajudar os blocos carnavalescos do
Município e os motivos dessa atitude, preferimos omitir, pois não vem ao caso.
Ao assumir, seu sucessor não gostava de Carnaval, mas credenciou uma equipe
para fazer frente à organização do evento. Foram criados mecanismos como a COC
(Comissão Organizadora do Carnaval), oficializou-se o apoio financeiro às
agremiações, a ornamentação do centro da cidade era imprescindível e assim,
fluíam mais blocos de rua e a participação do povo era bem maior. Na 4ª feira
de Cinzas, havia a PREMIAÇÃO DOS BLOCOS VENCEDORES com "nova noite
carnavalesca" para o povo.
Assim podemos concluir que "por
incrível que pareça,” esse Carnaval que ora apresento a vocês, aconteceu na
cidade de São José de Mipibu nas décadas de 70/80. Éramos simples, felizes e
inocentes mortais carnavalescos contagiados pela magia da festa, e
despreocupados em receber (ou não) a doação da Prefeitura para brincar, pois O
NOSSO CARNAVAL ERA MAIS PROFUNDO, POIS VINHA DA ALMA!!!
NOTA: Eu posso falar isso de cátedra, pois - na época -
era a Secretária de Educação do Município,(não havia Secretaria de Cultura) - e coordenei pessoalmente o evento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário