segunda-feira, 18 de maio de 2015

O PARQUE DE SEU MANOEL “CACHORRO QUENTE”






            O Parque S. José, de propriedade de Manoel Ribeiro da Silva, popularmente conhecido como parque de Cachorro Quente. Manoel Ribeiro da Silva, batalhador e incansável empreendedor neste tipo de comércio, juntamente com a sua família. Popularizou- se como “Manoel Cachorro Quente” pelo fato de ter sido ele o pioneiro a trazer para nossa cidade esta guloseima e como consequência disso, surge o nome fantasia do seu parque.
            O Parque fazia a alegria da garotada mipibuense e das cidades vizinhas. Seu Manoel estava sempre inovando e trazendo quando podia algo novo por mais singular que fosse e assim, seu parque ia se superando, com mais uma atração. Além dos brinquedos, o parque contava com um serviço de “altofalantes” onde os apaixonados, afins ou aniversariantes do dia, ouviam uma “gravação“ (assim era anunciado) com o oferecimento de uma música de sucesso, na voz de Waldik Soriano, Núbia Lafayete, Ângela Maria, Roberto Carlos e os seguidores do yê, yê, yê ou (Jovem Guarda) e a empolgante italianinha Rita Pavone com os seus sucessos.
Quantas vezes nestas dedicatórias assim se ouvia: “Atenção muita atenção, alguém de camisa branca, escute esta gravação que alguém de vestido azul lhe oferece com muito amor e carinho...ou de 
Alguém para alguém, com muito amor e carinho, na voz de Teixeirinha...Coração de Luto”.   Imagine uma festa de final de ano onde a cidade recebia inúmeros visitantes das cidades vizinhas, além dos habitantes da própria cidade (gente que não acabavamais).Como localizar estes felizardos?...Já imaginou quantos questionamentos e procura e quantas dúvidas para aqueles que se trajavam dentro do anunciado. Serei eu, ou serás tu? Será que foi ele? Enfim...!
            Veja que simplicidade, as pessoas eram na sua maioria, simplórias e se não bastasse a declaração de amor, o convite do apaixonado (a) a dramática música do Teixeirinha “Coração de Luto”...  Hilário? Pode até ser, mas a ingenuidade não permitia que houvesse interpretarão do conteúdo da referida música.  O importante era a mensagem, o recado; a música, um sucesso e eles gostavam. A relação da letra dramática com o apelo sentimental era o que menos importava.
            Na bilheteria do parque a fila só aumentava. A garotada empolgada com seus “ingressos” - comprados às vezes com muito sacrifício dos pais – só tinha olhos para a “JUJU” (carrocel) para os BOTES (balanços). Tudo era festa, sonho, fantasia de criança e de adultos também! Havia vários tipos de carrocel:

.O Carrossel (tradicional) com bancos de madeira, onde era frequentado mais pelos rapazes e moças (namorados) uma maneira de disfarçadamente pegar na mão, levarem um papo, e até por senhores e senhoras também descontraírem.

.O Carrossel de Cavalinhos, este destinado as crianças que se deliciavam ao trote do cavalinho por ela escolhido; umas sozinhas; outras, acompanhadas com seus pais que ficavam de pé ao lado, segurando seu filho quando este ainda necessitava desse cuidado. A alegria deste pai ou desta mãe era o reflexo da felicidade do seu filho.

.O Carrossel de cadeirinhas (JUJU) também destinado às criancinhas de pouca idade, presa na parte da frente e movido manualmente através de uma manivela, sempre com muito cuidado, caso houvesse a necessidade de parar para tirar aquela que estivesse enjoando ou com medo.

             Os Botes, que normalmente eram utilizados por adolescentes e jovens em dupla - cada qual puxando a corda na extremidade - impulsionava o mesmo com ajuda do corpo, sempre competindo uns com os outros, para ver quem levava o seu bote mais alto, como diziam “quem empinava mais alto”. Era comum ver alguém pedindo para parar antes da hora, porque havia enjoado e o vômito era inevitável para desespero do seu parceiro (a). Imediatamente era colocada uma tábua em baixo do bote e cada vez que acontecia o atrito, o mesmo  ia perdendo sua velocidade, amortecendo e finalmente freando. Este era um dos brinquedos favoritos.
            Finalmente, a Roda Gigante. Sensacional!  Este era o brinquedo mais procurado pelos mais corajosos e afoitos. Enquanto girava, seus ocupantes ouviam várias músicas do serviço de alto falante e aproveitavam para cantarem juntos e quando chegavam ao alto, gritavam, balançavam a cadeira, como uma maneira de mostrar que eram corajosos (um perigo). Eram repreendidos pelo responsável. Mas de nada adiantava. A teimosia e a indisciplina sempre fizeram parte dos adolescentes e dos jovens, independente da época. Este detalhe era próprio dos mais afoitos, mais levados. Na verdade, era uma “indisciplina” saudável sem maldade, com o intuito apenas de brincar, se exibir, sem faltar com o respeito àqueles que nos repreendiam.
            O parque também tinha seu atrativo na parte de lanches como pipoca, cocada, confeitos chicletes e o famoso vilão: O cigarro. Este era o bicho; quem podia comprava uma carteira (maço); quem não tinha este privilégio, comprava à varejo até porque a maioria fumava escondido dos pais. Relembrar o parque de Manoel Cachorro Quente é uma alegria muito grande. É uma saudade gostosa de momentos maravilhosos  vividos juntamente com  amigos e uma oportunidade para levar às novas gerações  um pouco da nossa história, das dificuldades dos nossos pais e das nossas próprias, em busca do lazer.
            Quero aproveitar a oportunidade para homenagear e agradecer a Seu Manoel (in memoram), por ter feito a alegria da garotada e por ter participado de um momento especial da vida mipibuense, sendo pioneiro desse tipo de lazer em nossa cidade.

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