O Governador Geral do Brasil expediu um ordem ao
Capitão mor do Rio Grande do Norte Antonio da Silva Barbosa, em 01 de agosto de
1682, determinando que juntassem a Aldeia de Moppebu com a dos Guarahiras, por
serem ambas pequenas e dessa maneira, seriam melhor atendidas no tocante aos
ensinamentos espirituais ministrados pelos Missionários.
Mas o fato novo, é que essa determinação só
aconteceu devido a uma petição dirigida ao Governador, feita pelo Padre
Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, comunicando que - quando a Junta
das Missões foi criada por carta régia de 07 de março de 1681, obedecendo
ordens de Sua Alteza - foi feita a entrega das Aldeias de todas as Capitanias
do Norte aos Religiosos da Companhia de Jesus. As duas Aldeias acima citadas seriam
unidas para melhor serem atendidas pelos dois Religiosos que lá moravam. No
entanto, essa determinação deveria ter sido obedecida pelo Capitão mor do Rio
Grande que não o fez, alegando que "achava nos índios, repugnância",
e pelo fato dessa determinação partir do Bispo de Pernambuco, mesmo obedecendo
a ordens superiores. Agora havia uma ordem expressa do Governador Geral do
Brasil, tanto à Câmara da Capitania, como aos Capitães mores, Provedor da
Fazenda Real, Ouvidor e todos que dela tomassem conhecimento e ainda, que essa
determinação fosse ser registrada nos livros da Secretaria das Câmaras, além de
ser mostrada ao Padre Superior da Aldeia de Guarahira, para que entrasse logo
em vigor. O documento escrito do Governador, dizia ainda que as Aldeias fossem
visitadas pelo Padre Provincial Antonio de Oliveira, para saber se estava sendo
cumprida. Essa situação do não cumprimento da ordem do Governador, já se
arrastava por cerca de quatro anos, sem nenhuma solução. É aí que entra a
influência dos Missionários perante as autoridades do Governo Geral do Brasil,
e mesmo assim, ainda demorou quase dois anos para que a ordem governamental
fosse cumprida. Se no sentido religioso este caso serve para mostrar o zelo da
Companhia de Jesus para com os aldeiados, por outro lado nos leva a concluir
que havia uma "certa superioridade eclesiástica" de Guarahira sobre
Moppebu. Se o Marquês de Pombal não odiasse tanto os religiosos, concluiríamos
ter sido esse o motivo pelo qual a atual Arês foi elevada à condição de cidade
antes de São José de Mipibu, mesmo sendo a nossa cidade - na época - mais
adiantada do que Arês (Guarahiras). Isso tudo vem comprovar que a atividade dos
Jesuítas no Rio Grande do Norte - suspensa durante a invasão holandesa - já
havia se restabelecido, embora não tenha sido privilégio apenas deles, pois os
Missionários Capuchinhos já circulavam pelas demais Aldeias, mas só efetivou-se
em Mipibu com a saída dos Missionários Jesuítas. Nos dois casos (com os
Jesuítas e com os Capuchinhos) nota-se a
autoridade e a influência que esses Religiosos exerciam nos negócios
administrativos do Brasil nessa época!!!
Livro de referência;
"NO RASTRO DOS MOPPEBUS"
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