domingo, 22 de fevereiro de 2015

LENDA DO RIO MIPIBU




MOEMA E JANDUY
A LENDA DO RIO MIPIBU


      Nos meus devaneios, ao buscar o passado da minha cidade, sonhei que me encontrava na tribo dos Moppebus. Perfeitamente adaptada àquela paisagem exuberante da Mata da Bica, e olhando o cristalino rio que circundava a mata, deparei-me com um grupo de Moppebus que vinha de suas caçadas rotineiras. Sem medo me aproximei e mesmo surpresos, eles me receberam bem. Para minha alegria conheciam a minha língua, o que facilitou travarmos uma conversa muito amistosa.
Falamos de tudo: do céu azul, da grande mata e seus animais, da caça e da pesca nas águas transparentes do Rio Moppebu, do Sol e da Lua, de suas crenças e de sua cultura. Então, ao perguntar a origem daquele Rio caudaloso e limpo, um deles se destacou do grupo e me contou a história do seu aparecimento. Então ele me disse: A tribo dos Moppebus se destaca entre outras cinco ou seis tribos das terras litorâneas do Rio Grande do Norte, pois é muito adiantada. Aqui viveu uma índia chamada MOEMA – filha de JERERA o grande cacique da Tribo Moppebu com uma de suas esposas chamada DIACUY. A nossa tribo sempre habitou essa a área da mata fechada – (o que hoje é a MATA DA BICA) - onde existem grandes animais para a nossa caça e é circundada pelos rios Trairi, Araraí e lagoas como a Lagoa do Puxy, Lagoa do Gravatá e outras. MOEMA – que nasceu numa bela noite enluarada – tinha uma beleza singular, pois segundo a nossa crença – nós adoramos o Sol e a Lua - ela herdou da Lua seus belos dotes físicos e sua  branca pureza. Mas apesar dessa beleza toda que a todos encantavam, MOEMA era triste, pois sua mãe morrera por ocasião do parto ao lhe dar a vida!
Todos nós nos comovíamos com a dor da pequena MOEMA e tudo fazíamos para amenizar o seu sofrimento. Seu pai JERERA sempre a levava para banhar-se nas águas de um pequeno Lago que existia perto dessa mata onde fica a aldeia, e sempre que isso acontecia MOEMA ao lembrar-se de sua mãe, chorava muito e seu pranto caía nesse Lago.  Todos acreditavam que sua amada mãe recebia e guardava as suas lágrimas como que tentando minimizar a dor que ela sentia pela sua falta.
       Com o tempo ela foi crescendo cercada pelo carinho de todos nós que fizemos tudo para que ela sentisse um pouco de felicidade. Mas eram quase inúteis os nossos esforços, pois ela continuava triste. Foi então que um guerreiro companheiro nosso chamado JANDUY – moço bonito, de físico perfeito, muito valente, grande guerreiro e de bom coração, ao entrar na mata para suas costumeiras caçadas – como a que fizemos hoje - passou perto desse lago e viu MOEMA chorando. Já conhecendo a sua história e (sentindo dó da situação), criou coragem e aproximou-se dela travando assim o primeiro diálogo entre eles. O tempo passou e ele dedicou-se a ela dando-lhe atenção e carinho tentando minorar a sua tristeza. Essa amizade foi ficando mais forte e Moema sentia-se mais alegre e todos nós já víamos uma ponta de felicidade no seu semblante.  Foi um pequenino passo para que surgisse um forte sentimento entre eles, pois já haviam se acostumado a ficar juntos todos os dias. Esse amor era consentido por seu pai que era o cacique da tribo, pelo Xamã, o grande curandeiro que os protegia e aceito por todos nós que via no rosto dela o semblante da felicidade e alegria por ser tão amada por JANDUY.
O guerreiro JANDUY apaixonado e querendo demonstrar o seu amor, todos os dias ia buscá-la na Oca, e com ela percorriam a grande mata, colhiam frutas, banhavam-se nas belas praias de Camurupim e Tabatinga e pescavam na Lagoa do Puxy (Bom Fim) no Rio Trairi entre outros.  O amor de Janduy por Moema era tão grande que já não viviam um sem o outro.
Ocorre que certo dia ao ir buscá-la para o costumeiro passeio foi tomado por uma grande dor ao ver a sua amada, já sem vida, dentro da rede. Ninguém soube explicar a causa de sua morte. Mesmo já sem vida, a bela MOEMA estava serena como a demonstrar a felicidade que vivera ao lado do seu amado. Louco de desespero chamou-a, mas sem resposta viu que todos nós – cientes do que havia acontecido – nos encontrava - mos  dentro da oca já em preparativos para a solenidade do funeral da tão amada índia. Com o coração dilacerado por tanta dor e tristeza pela perda do seu grande amor e parecendo anestesiado, Janduy acompanhou o cortejo fúnebre num pranto sem fim. Durante o sepultamento – que foi realizado perto do antigo lago, embaixo de uma frondosa árvore - o seu coração gritava pela volta da amada, e dos seus olhos brotaram um pranto tão dolorido e abundante que seu choro transformou o pequeno lago num grande rio afogando-o e levando-o para junto de sua amada, fazendo surgir da terra vários “olheiros,” que nós chamamos de “MBI-PIBU” palavra da nossa língua (Tupi). Eu então pensei: Essa palavra deu origem a uma das teorias sobre o nome MOPPEBU que significa “EMERGIR SUBTAMENTE.” Então deduzi que das entranhas da terra, a dor do grande guerreiro JANDUY que morreu por amor a sua amada MOEMA é a origem lendária do RIO MIPIBU.
Dessa maneira, pude sentir “de perto” - através dos meus sonhos - a lição de amor de dois jovens, cujo fruto é o Rio Mipibu de onde vem o nome da cidade em que hoje vivemos. SÃO JOSÉ DO MIPIBU!
                                                       Maria Lúcia Amaral

                  

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