Quando a Província de São José de
Mipibu teve à frente do poder, o jovem ÁUREO TAVARES DE ARAÚJO – moço
inteligente e dinâmico – a cidade teve uma das melhores administrações em todo
período republicano; se muito não fez, foi o que mais fez, ao transformar
radicalmente o centro urbano da cidade, com a demolição da CASA DO MERCADO E DA
CADEIA PÚBLICA em meados de 1939. Vale ressaltar que isso gerou uma grande
polêmica na época, quanto à conveniência ou não de se por abaixo o velho
prédio, que durante tantos anos abrigara o Legislativo do Município; uma
solução intermediária teria sido mais adequada aos problemas criados com esse
intento do jovem Prefeito.
O impasse criado com a demolição das
centenárias CASAS DO MERCADO E DA CADEIA PÚBLICA gerou insatisfação de muitos
que viam que, se por um lado remodelava-se para modernizar a cidade, por outro,
destruía-se uma verdadeira relíquia histórica.
Era um quadro de desumanidade deixar a Cadeia
naquele local, quando criaturas infelizes estavam aprisionadas por trás de
enormes grades, tendo diante de si – a repetir-se diariamente – o espetáculo
das feiras livres, numa demonstração marcante do significado de liberdade; os presos deveriam sentir
duplamente as suas penas. Outra questão levantada deixava claro que a Cadeia
poderia ser mudada de lugar sem precisar derrubar o prédio. Depois de muita
agitação, polêmica e insatisfação popular esperava-se que o Prefeito se
sensibilizasse diante da crise e revisse o seu intento, mas qual a decepção do
povo pois nenhum argumento demoveu o mandatário do poder. As picaretas
começaram a funcionar e os volumosos blocos de pedra se desprenderam das
seculares paredes; do madeiramento amontoado na Praça fronteira, grandes ratos
fugiam apavorados pela Cidade. Poucos dias depois, restava apenas o terreno
onde seria erguido o novo mercado.
Agora, tudo era uma festa:
Betoneiras e outras máquinas de construção eram vistas – pela primeira vez – em
São José de Mipibu, ante os olhos entusiasmados dos que eram a favor “da
reforma” urbana. A nova Cadeia foi construída longe do centro da cidade –
próxima ao cemitério – a Prefeitura, que funcionava há muito tempo em um prédio
pequeno e acanhado, ganhou novas e amplas instalações. Mas não era apenas o
setor público o único responsável por essa revolução na fisionomia da Cidade;
particulares também lhe seguiam o exemplo, e assim a cidade se remodelava e o
seu comércio crescia com o aparecimento de novas lojas em alguns dos novos
prédios construídos. O sonho de modernizar e embelezar o centro urbano de São
José de Mipibu custou muito caro para aqueles defensores do patrimônio
histórico e cultural do Município.
Livro de referência:
"NO RASTRO DOS MOPPEBUS"
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