terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

01 - A DEMOLIÇÃO DA INTENDÊNCIA

            Quando a Província de São José de Mipibu teve à frente do poder, o jovem ÁUREO TAVARES DE ARAÚJO – moço inteligente e dinâmico – a cidade teve uma das melhores administrações em todo período republicano; se muito não fez, foi o que mais fez, ao transformar radicalmente o centro urbano da cidade, com a demolição da CASA DO MERCADO E DA CADEIA PÚBLICA em meados de 1939. Vale ressaltar que isso gerou uma grande polêmica na época, quanto à conveniência ou não de se por abaixo o velho prédio, que durante tantos anos abrigara o Legislativo do Município; uma solução intermediária teria sido mais adequada aos problemas criados com esse intento do jovem Prefeito.

      O impasse criado com a demolição das centenárias CASAS DO MERCADO E DA CADEIA PÚBLICA gerou insatisfação de muitos que viam que, se por um lado remodelava-se para modernizar a cidade, por outro, destruía-se uma verdadeira relíquia histórica.   Era   um  quadro de desumanidade deixar a Cadeia naquele local, quando criaturas infelizes estavam aprisionadas por trás de enormes grades, tendo diante de si – a repetir-se diariamente – o espetáculo das feiras livres, numa demonstração marcante do significado  de liberdade; os presos deveriam sentir duplamente as suas penas. Outra questão levantada deixava claro que a Cadeia poderia ser mudada de lugar sem precisar derrubar o prédio. Depois de muita agitação, polêmica e insatisfação popular esperava-se que o Prefeito se sensibilizasse diante da crise e revisse o seu intento, mas qual a decepção do povo pois nenhum argumento demoveu o mandatário do poder. As picaretas começaram a funcionar e os volumosos blocos de pedra se desprenderam das seculares paredes; do madeiramento amontoado na Praça fronteira, grandes ratos fugiam apavorados pela Cidade. Poucos dias depois, restava apenas o terreno onde seria erguido o novo mercado.

            Agora, tudo era uma festa: Betoneiras e outras máquinas de construção eram vistas – pela primeira vez – em São José de Mipibu, ante os olhos entusiasmados dos que eram a favor “da reforma” urbana. A nova Cadeia foi construída longe do centro da cidade – próxima ao cemitério – a Prefeitura, que funcionava há muito tempo em um prédio pequeno e acanhado, ganhou novas e amplas instalações. Mas não era apenas o setor público o único responsável por essa revolução na fisionomia da Cidade; particulares também lhe seguiam o exemplo, e assim a cidade se remodelava e o seu comércio crescia com o aparecimento de novas lojas em alguns dos novos prédios construídos. O sonho de modernizar e embelezar o centro urbano de São José de Mipibu custou muito caro para aqueles defensores do patrimônio histórico e cultural do Município.


Livro de referência:
"NO RASTRO DOS MOPPEBUS"



                     

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