terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

10 - A GUERRA DOS BÁRBAROS





Ainda não se haviam apagados da lembrança dos mais velhos, as atrocidades que assinalaram a permanência dos Holandeses na Capitania do Rio Grande, quando irrompeu a GUERRA DOS BÁRBAROS.
- E o que significa “BÁRBARO”
- Era essa a denominação dada aos índios, sem nenhuma separação se eram mansos ou hostis, e aconteceram na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, Ceará, Piauí e Maranhão. Esses levantes de índios contra os colonizadores portugueses aconteceram por todo interior acentuadamente no sertão. Essas áreas não estavam despovoadas, muito pelo contrário. Nelas habitavam os índios Janduís, Canindés, Pegas e outras tribos do grupo dos “TARAIRIU”, que anteriormente haviam formado aliança com os Holandeses e com eles participado das atrocidades faladas nos massacres.

      Os índios não se conformavam com a invasão das terras - que sempre foram suas - pelos colonizadores, para criar gado e produzir suas lavouras. Revoltados, matavam vaqueiros, trucidavam as cabeças de gado e queimavam as fazendas.
No Rio Grande do Norte – entre 1687 a 1697 – essas lutas aconteceram nas ribeiras do AÇU e do ACAUÃ (antigo nome do rio Seridó). Os dois grandes massacres nessa região onde muitos índios morreram, aconteceram na Serra da Rajada (onde ficam CARNAÚBA DOS DANTAS, ACARI, PARELHAS E JARDIM DO SERIDÓ). Isso em 1689, chefiado por Domingos Jorge Velho; o outro massacre foi na Serra da Acauã (hoje, Currais Novos) em 1690, onde muitos outros índios morreram. Nessas guerras não era apenas o branco que lutava contra os índios; havia índios “cristianizados,” isto é, aculturados que lutavam contra seus irmãos selvagens ou bárbaros, contra os negros, os caboclos e os mestiços. Todos lutavam ao lado dos brancos colonizadores, daí o grande massacre que os bárbaros sofreram.
      Na Aldeia de Moppebu – distante do local onde se desenrolavam as lutas – o seu patrimônio foi resguardado com a construção de uma casa forte, mesmo sendo defendida por “cinco ou seis homens apenas”.
      Em carta de Agostinho César dirigida ao governo da Bahia, destaca-se um trecho que diz bem a situação privilegiada da nossa Aldeia por ocasião desses conflitos, pois o reforço que saiu de Moppebu (reforço de homens armados) contava com “quarenta soldados de Pernambuco, mais trinta ou quarenta índios, mais os que foram tirados das casas fortes, totalizando cento e sessenta homens” que – saindo da Aldeia dos Moppebus – juntaram-se aos outros, que já estavam no local das guerras. Os índios revoltosos foram vencidos, suas terras foram diminuídas, muitos foram mortos e outros tantos se tornaram escravos. Em 1697 restavam apenas alguns focos de rebeldia. Finalmente estava desbravado o sertão!


Livro de referência:
"NO RASTRO DOS MOPPEBUS"

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