terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

09 - A REVOLUÇÃO DE 1817 EM SÃO JOSÉ DE MIPIBU


A REVOLUÇÃO DE 1817 E O EPISÓDIO OCORRIDO NO ENGENHO BELÉM EM SÃO JOSÉ DE MIPIBU:

A Revolução de 1817 surgida em Pernambuco - e que teve a adesão das Capitanias da Paraíba e do Rio Grande do Norte - pretendia instalar um GOVERNO REPUBLICANO NO BRASIL.
Em São José de Mipibu (como nos falam eminentes pesquisadores do assunto), a participação do município nesse fato foi de suma importância histórica. Segundo a professora Isabel Gondim, esse episódio mexeu com a Vila de São José do Rio Grande (como era chamado município) de tal forma, que ela, mesmo ainda muito jovem ouviu muito um velho cego chamado Tomás de Aracati dizer que "havia ficado quase rouco de tanto gritar liberdade para São José de Mipibu". Ela ainda nos conta que no engenho Belém - na época pertencia a Luís de Albuquerque Maranhão coronel de milícias e primo de André de Albuquerque Maranhão - aconteciam muitos "banquetes" que o proprietário oferecia às autoridades de Natal e de Vilas vizinhas, regados a muita comida, bebida e muito luxo. Pois bem: Tanto nesse engenho como no engenho Ribeiro, essas reuniões eram comuns e versavam sobre os mais diversos assuntos, entre eles a política e a maçonaria (que teve seu embrião no Estado, partindo dessas reuniões) e contava ainda com a participação dos párocos locais. Um desses habituais frequentadores era o padre João Damasceno Xavier que sempre oferecia na ocasião desses banquetes um grande aparato de serviço de baixelas de prata, tal era a sua prodigalidade como um dos anfitriões participantes. (O padre Damasceno foi escrivão de São José de Mipibu e um grande inspirador de André de Albuquerque). No engenho Belém, deu-se um dos episódios capitais da Revolução de 1917: A prisão do governador da Capitania do Rio Grande do Norte, José Inácio Borges.

COMO ACONTECEU: André de Albuquerque tinha uma casa em Goianinha (precisamente em Estivas) onde ele costumava receber seus convidados "mais íntimos" para tratar dos assuntos relacionados com a revolução irrompida em Pernambuco, ou seja, a Revolução de 1817 e outros assuntos relacionados a política. De volta de uma dessas conferências com André de Albuquerque - que o governador José Inácio Borges parecia desconhecer a ligação dele com o movimento revolucionário, ou se sabia, fazia "vistas grossas", ele pernoitou em Belém na casa do amigo Luís de Albuquerque, para na manhã seguinte voltar à Capitania com os seus oficiais. Enquanto isso em Goianinha, André de Albuquerque recebeu a visita do padre Antonio de Albuquerque Montenegro - patriota exaltado e defensor do governo republicano, portanto adépto da Revolução - a quem André contou que o governador "com subterfúgios tentou arrastá-lo para defender a monarquia"; o padre enfurecido chamou-o de covarde por não ter prendido ali mesmo o governador para que a revolução se instalasse logo na Capitania, aconselhando-o a sair em seu encalço imediatamente,
o que André assim fez, cercando a casa grande do engenho Belém, onde o governador dormia, e pela manhã entrou nas dependências do engenho dando-lhe voz de prisão mesmo que continuasse a ser tratado com o devido respeito. A Vila  ficou numa grande agitação com os acontecimentos e com a chegada de todas as autoridades da Província. Isso aconteceu no dia 25 de março de 1817, e como não houve derramamento de sangue, o governador foi deposto do cargo, mas lhe foi permitido ter a presença da esposa para com ela ser conduzidos à Pernambuco três dias depois, em 29 de março de 1817. Mesmo com todos esses acontecimentos, a revolução fracassou, André de Albuquerque foi morto e o governo monárquico restabelecido no dia 26 de abril do mesmo ano. Das pessoas de São José de Mipibu pronunciadas apenas Vital da Silva e Luís de Albuquerque Maranhão deveriam ser presos. O primeiro escondeu-se e escapou; o segundo foi preso no dia 21 de maio do mesmo ano no Brejo das Bananeiras, na Paraíba.


Livro de referência:
"NO RASTRO DOS MOPPEBUS"





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