quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

PÁSSARO NEGRO






PÁSSARO NEGRO
(Vera Lúcia Cavalcanti)
  


Gosto de brincar com as palavras
De fazer rimas e trocadilhos
Aproveitar passagens e criar situações
Dentro desta minha diretriz
Resolvi falar do amigo CANCÃO


Manoel da Silva Mariano é este o seu nome
Jovem respeitador, trabalhador e sisudo
Aos domingos não perdia a missa
Vestido em linho branco bem engomado
E sapatos pretos muito bem engraxados


Foi assim, ainda criança que via este rapaz
Filho de pais pobres, simples e honesto
Certamente cheio de sonhos e ilusão
Desfilava com sua namorada,
Sempre dedicado,
Vaidoso, pomposo e enfatiotado




De repente, não se sabe como nem por que
O jovem perdeu o juízo e se transformou
Virou falante, profeta e orador
Perdeu a saúde, a vaidade e a emoção
Talvez pela sua cor,
O apelidaram de CANCÃO




Dizem que esta transformação
Teve culpa uma certa donzela
Que perdera a sua pureza
E a honra por ele, não foi reparada
"A macumba" foi a vingança
Por ela encontrada


Se é especulação ou fato, eu não sei dizer
Até porque não dou crédito ao assunto
Só sei dizer que o seu juízo não recuperou
Sempre atento aos movimentos da cidade
Para uma nova tese defender e compor
Incorporou intelectual e defensor
Dos bons costumes e da ordem
A proclamar sua oratória pelas ruas
Muitas palavras sem sentido, outras não
Assim termino a prosa do inofensivo CANCÃO

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